Ucrânia: Negociações EUA-Rússia terminam sem avanços, Putin aponta Europa
Cinco horas de conversas entre o presidente russo Vladimir Putin e os principais negociadores dos Estados Unidos, liderados por emissários do ex-presidente Donald Trump, culminaram na terça-feira (2) em Moscou sem apresentar avanços significativos para um possível acordo de paz na Ucrânia. A reunião, que encerrou uma semana de intensa diplomacia, não conseguiu encontrar um caminho para um compromisso, conforme relatou um assessor do Kremlin.
O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner, participaram do encontro no Kremlin. Apesar de serem descritas como "muito úteis, construtivas e altamente substanciais", as discussões não resultaram em uma "opção de compromisso", afirmou Yuri Ushakov, assessor de política externa russo e porta-voz de Putin, a repórteres após a reunião. Ele adicionou que algumas propostas americanas foram consideradas "mais ou menos aceitáveis", mas outros pontos "não nos agradam", indicando que o trabalho diplomático continuará.
A falta de progresso se deve, em grande parte, às exigências do Kremlin, que incluem a renúncia formal da Ucrânia ao seu desejo de ingressar na OTAN e a cessão de territórios na região de Donbas, no leste ucraniano, que a Rússia anexou, mas ainda não controla totalmente. Essas demandas são consideradas "linhas vermelhas" pela Rússia e continuam sendo rejeitadas pelas autoridades ucranianas.
Pontos de Atrito Persistem Entre Rússia e EUA
As negociações entre a Rússia e os Estados Unidos sobre a crise na Ucrânia enfrentam obstáculos consideráveis, com divergências fundamentais sobre questões territoriais e de segurança. O Kremlin insiste que qualquer solução para a crise deve abordar as "causas iniciais" da invasão, uma referência a uma longa lista de exigências que inclui a suspensão da expansão da OTAN, o reconhecimento do controle russo sobre regiões ucranianas ocupadas e, efetivamente, o fim da Ucrânia como um Estado soberano.
Apesar de os EUA não terem comentado publicamente sobre o resultado das conversas, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, havia expressado otimismo antes da reunião, indicando que o governo Trump continuava seus esforços para encerrar o conflito. No entanto, a posição russa, reiterada pelo assessor Yuri Ushakov, sugere um impasse significativo.
Um alto funcionário da OTAN, por sua vez, declarou que não há indícios de que Moscou esteja disposta a fazer "concessões significativas" para encerrar a guerra. Segundo ele, a Rússia mantém suas exigências territoriais e continuará "buscando enfraquecer ao máximo as capacidades militares da Ucrânia para abrir caminho para novas agressões".
Europa Acusada de Bloquear Esforços de Paz
Vladimir Putin acusou publicamente os líderes europeus de tentarem bloquear o acordo de paz proposto pelos EUA, alegando que eles estão "apresentando exigências absolutamente inaceitáveis para a Rússia" e que "estão do lado da guerra". Segundo o presidente russo, as nações europeias "se recusaram a negociar a paz e estão interferindo no presidente Trump".
Embora Putin não tenha detalhado seu raciocínio, especula-se que ele se refira a alterações feitas no plano de paz original de 28 pontos de Trump, apresentado no mês passado. Este plano foi rejeitado pela Ucrânia e seus aliados europeus. Uma reunião posterior em Genebra entre delegações ucranianas e americanas resultou em alterações no documento, tornando-o mais aceitável para Kiev.
No entanto, horas antes das negociações cruciais em Moscou, o Kremlin reforçou sua posição, indicando que qualquer acordo deve resolver as "razões subjacentes" da invasão, consolidando a ideia de que as exigências russas são intransigentes.
Ucrânia Aguarda Sinais Positivos para Nova Rodada de Diálogo
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou sua expectativa de se comunicar com a equipe de negociação dos EUA imediatamente após as conversas com Putin. Zelensky afirmou que estava "aguardando sinais" da delegação sobre o resultado do encontro, indicando que, se os sinais fossem positivos e houvesse "jogo limpo com nossos parceiros", uma reunião com a delegação americana poderia ocorrer em breve.
O líder ucraniano ressaltou que uma delegação de alto nível seria enviada caso as mensagens dos americanos sinalizassem uma oportunidade para "decisões globais, mas rápidas". A Ucrânia tem consistentemente rejeitado as exigências da Rússia, que o Kremlin considera essenciais para qualquer resolução.
A reunião entre Putin e os emissários americanos ocorreu após autoridades dos EUA e uma delegação ucraniana terem se reunido em Miami no domingo (30). O secretário de Estado Marco Rubio descreveu essas conversas como "muito produtivas", mas alertou que ainda há "muito trabalho a ser feito".
Alerta de Putin: Rússia "Pronta" para Reagir a Conflito Europeu
Horas antes da reunião em Moscou, Vladimir Putin emitiu um alerta, declarando que, embora a Rússia não planeje iniciar uma guerra com a Europa, o país está "pronto" para responder caso a Europa inicie um conflito. Essa declaração adiciona uma camada de tensão às já complexas negociações sobre a Ucrânia.
O encontro entre Putin e a delegação americana contou com a presença de Steve Witkoff e Jared Kushner. Antes da reunião, Witkoff e Kirill Dmitriev, representante do Kremlin, foram vistos caminhando pela Praça Vermelha em Moscou, conforme imagens divulgadas pela agência de notícias estatal russa TASS. Anteriormente, Witkoff e Dmitriev almoçaram em um restaurante moscovita, desfrutando de um menu que incluía caviar, codorna, carne de veado e caranguejo, segundo o diretor do restaurante, Maxim Romantsev, em declarações ao jornal russo Izvestia.
Apesar da intensidade dos esforços diplomáticos, a falta de avanços concretos nas negociações entre Rússia e EUA sobre a Ucrânia reforça a complexidade do conflito e a dificuldade em encontrar um caminho para a paz duradoura. As posições firmes de ambos os lados, especialmente em relação a questões territoriais e de segurança, indicam que a resolução exigirá concessões significativas e um compromisso genuíno para o diálogo.











