Proibição de Redes Sociais na Austrália: Brasileiros Relatam Choque e Adaptação

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Proibição de Redes Sociais na Austrália: Brasileiros Relatam Choque e Adaptação

A Austrália implementou uma nova lei que proíbe o acesso de menores de 16 anos a diversas redes sociais, incluindo plataformas populares como TikTok, Instagram e YouTube. A medida, que entrou em vigor nesta quarta-feira (10), pegou de surpresa muitas famílias, especialmente aquelas com filhos brasileiros vivendo no país. O g1 conversou com algumas dessas famílias para entender os impactos dessa decisão, as formas de burlar a proibição e as alternativas encontradas.

A novidade gerou reações diversas entre pais e adolescentes. Enquanto alguns pais veem a proibição como uma medida necessária para proteger os jovens, outros acreditam que o controle deveria ser uma responsabilidade familiar. Adolescentes, por sua vez, expressam frustração pela perda de acesso a espaços de socialização e entretenimento.

Os relatos mostram que a adaptação não tem sido fácil. Muitos jovens se sentiram perdidos e ansiosos com a repentina ausência das redes sociais, enquanto pais descobriram a dimensão do vício de seus filhos. Acompanhe os detalhes dessa mudança e como ela está afetando a vida de brasileiros na Austrália.

"Não sabia o quanto minha filha era viciada"

Oprah Parsons, de 51 anos, mora em Woy Woy, na Austrália, e é mãe de Theodora, de 9 anos. Ela conta que, apesar de saber que a filha usava bastante as redes sociais, a proibição revelou a real dimensão desse uso.

"Ela está nervosa, parece que está faltando algo. No dia 10 [quando a proibição começou], ela chegou da escola, foi comer e senti ela 'meio perdida'. Eu não sabia o quanto minha filha era viciada", relata Oprah.

Segundo a mãe, Theodora, que se mudou de São Paulo para a Austrália há cerca de um ano, passou a usar as redes sociais como uma forma de lidar com a solidão e a saudade do Brasil, funcionando como um "amigo".

Por essa razão, Oprah confessa que era difícil impor limites ao uso. "Nesse sentido, a nova lei caiu como uma luva para mim. A minha proibição ela não estava acatando, mas a do governo teve que seguir", afirma.

Apesar do choque inicial, Oprah acredita que a medida será positiva para a filha e a incentiva a atividades como brincar com bonecas e desenhar.

"Estão tirando a nossa liberdade"

Gabriella Rossi, de 14 anos, é brasileira e mora em Sydney com a família há 8 anos. Ela foi uma das adolescentes diretamente afetadas pela proibição. Gabriella utilizava bastante o YouTube para assistir a vídeos de maquiagem e cuidados com a pele.

No dia em que a lei entrou em vigor, ela verificou sua conta na plataforma e confirmou o bloqueio. "Eu fico triste porque tira a nossa liberdade, mas, como eu não tinha redes sociais mais comuns, não me afetou tanto", diz.

Sua mãe, Fernanda Rossi, de 40 anos, acredita que esse tipo de decisão deveria ser familiar, não governamental. "Não sou 100% contra, mas acredito que esse tipo de decisão deve vir das escolas e dos pais", argumenta.

Fernanda também expressa a preocupação de que a proibição possa, paradoxalmente, despertar ainda mais o interesse dos adolescentes pelas plataformas banidas. "Além disso, acredito que só proibir pode inclusive despertar o interesse dos adolescentes", pontua.

"Crianças precisam viver no mundo real"

Ana Lucia Ferreira, de 46 anos, reside em Sydney há 24 anos e é mãe de Alicia, de 12 anos, e Jake, de 15. Ambos os filhos acessavam redes como TikTok, Instagram e Snapchat por aproximadamente 2 horas diárias.

Ana Lucia utilizava uma ferramenta de controle parental para definir um tempo limite de uso. No entanto, após o bloqueio das contas, os filhos "ainda não reclamaram", segundo ela.

"Acredito que isso aconteceu porque esta medida foi anunciada com bastante antecedência e as escolas prepararam bem as crianças e os pais", justifica Ana Lucia. "Eles já sabiam há um bom tempo que estava para acontecer."

A mãe relata que a maioria dos pais com quem convive considera a mudança muito positiva. "Crianças precisam viver no mundo real", afirma.

"Crianças precisam de tempo para criatividade e atividades físicas e as mídias sociais estavam roubando isso deles", completa.

Novos apps e tentativas de burlar a proibição

Embora o g1 não tenha conversado diretamente com adolescentes que tenham conseguido burlar a proibição, Gabriella, de 14 anos, relata que alguns de seus amigos mantiveram suas contas ativas.

"Eles mudaram a data de nascimento na plataforma antes da proibição começar a valer", conta Gabriella, explicando a tática utilizada.

Jake, de 15 anos, menciona que alguns amigos tentaram fazer o mesmo, mas foram impedidos pelas ferramentas de reconhecimento facial das plataformas. Ele também revelou que, logo após ter sua conta bloqueada no TikTok, baixou outro aplicativo de vídeos semelhante, que não estava na lista proibida.

Segundo Jake, muitos de seus colegas seguiram o mesmo caminho. O jornal The Guardian informou que o governo australiano está monitorando essas plataformas menores e pode incluí-las na proibição em breve.

No Brasil, embora não haja uma proibição geral de redes sociais para menores de 16 anos, novas medidas de segurança para adolescentes na internet estão sendo implementadas. A partir de março de 2026, entrará em vigor o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que foi sancionado em setembro.

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