Leila Pereira alfineta Abel Ferreira em tom de autocrítica após ano sem títulos

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Leila Pereira e Abel Ferreira expõem divergências após temporada sem títulos

A temporada de 2024 se encerrou sem que o Palmeiras conquistasse os títulos esperados, um cenário incomum para o clube nos últimos anos. Diante deste cenário, a presidente Leila Pereira e o técnico Abel Ferreira apresentaram visões distintas sobre as responsabilidades e os motivos para as perdas de importantes competições. Enquanto a mandatária adotou um tom de autocrítica, o treinador voltou a direcionar críticas à arbitragem do futebol brasileiro.

A declaração de Leila Pereira, feita antes da final do Campeonato Paulista Feminino, onde o Palmeiras sagrou-se campeão, repercutiu fortemente. A presidente utilizou o termo "terceirização de responsabilidade" ao analisar as derrotas na Libertadores e no Campeonato Brasileiro, afastando a possibilidade de culpar fatores externos pelas campanhas aquém do esperado.

Por outro lado, Abel Ferreira, em suas coletivas pós-jogo, tem reiterado suas insatisfações com a atuação de árbitros e a condução de algumas partidas. O técnico português aponta para a influência de decisões de arbitragem e possíveis punições como fatores que desequilibram as competições, gerando um clima de apreensão entre os profissionais da área.

Leila Pereira assume "incompetência" do clube e rejeita "terceirização"

Em entrevista à Record News, Leila Pereira foi enfática ao comentar sobre o desempenho do Palmeiras em 2024. Ela admitiu que o torcedor, acostumado a vitórias, pode ter ficado "mal acostumado", mas ressaltou que, em sua gestão, este foi o primeiro ano sem a conquista de um título sequer. Contudo, ela fez questão de pontuar que o clube chegou a três finais, sendo vice-campeão em todas.

"Eu costumo dizer que o nosso torcedor, ele está mal acostumado num bom sentido, não é? Que nós não estamos acostumados a não conquistarmos títulos. Na minha gestão, é o primeiro ano que não conquistamos algum título. Não conquistamos, mas fomos vice em três competições. E para você ser vice, é porque você está disputando. O Brasileiro esteve muito próximo. A Libertadores também, mas, infelizmente, foi por culpa nossa", declarou Leila Pereira.

A presidente foi ainda mais direta ao afirmar que não buscaria culpados externos para as derrotas. "Eu não vou terceirizar a responsabilidade. Foi por incompetência nossa. Nós não perdemos para o nosso adversário. Nós perdemos para nós mesmos. Isso é muito claro para mim", enfatizou a mandatária.

Abel Ferreira rebate e questiona arbitragem e "medo" dos juízes

Em contraponto à autocrítica da presidente, Abel Ferreira tem direcionado suas críticas para a atuação da arbitragem no Campeonato Brasileiro. Após a derrota do Palmeiras para o Grêmio por 3 a 2, em 25 de novembro, o técnico lamentou os erros cometidos pela própria equipe, mas não deixou de questionar a conduta dos árbitros.

"Não vivo de 'ses'. Se o pênalti fosse marcado, o jogo teria ficado 3 a 3 ou 4 a 3, mas depois desse pênalti muita coisa mudou. Nomeadamente o árbitro desta competição ficou pendurado. Será que outros árbitros não ficaram com medo?", questionou Abel Ferreira, referindo-se a um lance específico em uma partida anterior.

O treinador do Palmeiras exemplificou suas queixas comparando lances. "De apitar, por exemplo, o pênalti no Maracanã (em Gómez no início de Flamengo x Palmeiras). Se comparar o pênalti com o do Arrascaeta na casa do Palmeiras na primeira volta, há muita diferença? Há diferença a bola que bate no jogador do Vitória e nem ao VAR foi ver", continuou o técnico.

Abel Ferreira levantou a possibilidade de os árbitros estarem agindo com receio de punições. "Será que os árbitros não ficaram todos com medo de que a CBF os castigasse e o STJD ainda desse mais dias de castigo, o que nunca tinha visto em cinco anos de Brasil?", concluiu o português.

O polêmico clássico contra o São Paulo e a suspensão de árbitros

As declarações de Abel Ferreira ganham força ao relembrar um episódio específico ocorrido em outubro, durante o clássico entre Palmeiras e São Paulo. Na ocasião, o Tricolor vencia por 2 a 0 quando houve um lance na área envolvendo o jogador Tapia, que caiu após choque com Allan. O árbitro Ramon Abatti Abel mandou o jogo seguir, decisão que foi mantida pelo VAR, Ilbert Estevam.

Após a partida, o árbitro Ramon Abatti Abel foi suspenso por quase um mês e, posteriormente, recebeu uma punição de 40 dias do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), assim como Ilbert Estevam, que atuou como VAR naquele confronto. Esse fato, segundo Abel Ferreira, teria gerado um clima de apreensão.

Análise da derrota para o Grêmio e os erros defensivos do Palmeiras

Abel Ferreira também analisou a derrota para o Grêmio, classificando o primeiro tempo como "belíssimo". No entanto, ele apontou erros cruciais que levaram ao resultado negativo, como ceder o empate no último lance do primeiro tempo e cometer dois pênaltis na segunda etapa.

"Fizemos uma boa primeira parte, entramos muito bem no jogo, pena no último terço as finalizações não terem levado outros acertos. Injusta a forma como fomos para o intervalo com um gol sofrido de um arremesso da linha lateral, não lembro de nada que tenham criado. Fizemos uma belíssima primeira parte, pena um resultado tão escasso", lamentou o treinador.

"Na segunda parte, mesmo com a dureza do gol no fim da primeira parte, o jogo se equilibrou. Depois, não podemos cometer um pênalti daqueles, não podemos. Ao perder por 2 a 1, não podemos perder um gol embaixo da trave como Facundo perdeu. Neste nível, esses erros custam caro. No final, o adversário criou mais pelos nossos erros do que propriamente pelo volume que tiveram", completou.

O técnico ainda expressou sua perplexidade com uma expulsão em campo. "Estava tentando entender por que meu jogador foi expulso. A regra não deixa o jogador ser penalizado duas vezes, mas foi o que foi", finalizou Abel Ferreira, demonstrando frustração com a condução da partida.

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