Cenário político e juros futuros
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) apresentaram leves baixas na terça-feira, 23 de janeiro, em uma reação positiva do mercado financeiro a eventos políticos recentes. A desistência de uma entrevista do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, parece ter aliviado parte da tensão que pressionava a curva de juros.
Este movimento de recuo nas taxas de juros futuros ocorreu em um dia marcado por dados da prévia da inflação oficial, o IPCA-15, que indicou uma aceleração nos preços dos serviços no Brasil. A divulgação dessas informações adicionou um componente de volatilidade, mas a notícia política acabou por prevalecer no sentimento do mercado no fechamento do dia.
A taxa do DI com vencimento em janeiro de 2028, por exemplo, encerrou o pregão em 13,27%, registrando uma ligeira queda de 2 pontos-base em relação ao dia anterior. Da mesma forma, o DI para janeiro de 2035 recuou 4 pontos-base, fechando em 13,7%. Essas variações, embora pequenas, refletem a sensibilidade do mercado a fatores políticos e econômicos no país, conforme apurado pela CNN Brasil.
Desistência de entrevista e impacto no mercado
Alívio após cancelamento
O cancelamento da entrevista de Jair Bolsonaro, que seria realizada com o portal Metrópoles, foi um dos principais fatores que impulsionaram a queda das taxas de juros. A entrevista era aguardada como um possível indicativo sobre a candidatura de seu filho, Flávio Bolsonaro, em 2026.
Candidatura de Flávio Bolsonaro
Nas semanas anteriores, a possibilidade de Flávio Bolsonaro se candidatar à presidência vinha gerando incertezas no mercado. A percepção era de que ele poderia ser menos competitivo em uma disputa contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em comparação com outros nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Repercussão positiva
A notícia do cancelamento da entrevista, interpretada como um afastamento temporário dessa confirmação, trouxe um certo alívio aos investidores. Profissionais do mercado ouvidos pela Reuters indicaram que esse evento contribuiu para a redução da pressão de alta na curva de juros, permitindo que as taxas recuassem no final da tarde.
Dados de inflação e seus efeitos
IPCA-15 divulgado pelo IBGE
No início do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de dezembro. O indicador mostrou uma alta de 0,25%, um valor ligeiramente inferior à projeção de 0,27% feita por economistas consultados pela Reuters.
Acumulado anual e meta de inflação
No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 fechou o ano com uma elevação de 4,41%, também um pouco abaixo da expectativa de 4,43% dos analistas e inferior aos 4,5% registrados em novembro. Embora ainda distante do centro da meta de inflação de 3%, o percentual anual se encontra dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo Banco Central.
Inflação de serviços em destaque
Apesar dos números gerais do IPCA-15 terem vindo um pouco melhores que o esperado, a análise detalhada da composição do índice não foi tão favorável. Dados do banco Bmg indicaram que a inflação de serviços acelerou de 0,66% em novembro para 0,7% em dezembro. A taxa de serviços subjacentes também apresentou alta, passando de 0,4% para 0,52% no mesmo período.
Reação do mercado e projeções futuras
Abertura da curva de juros
Logo após a divulgação dos dados de inflação, a taxa do DI para janeiro de 2028 chegou a atingir o pico de 13,395%, com uma alta de 11 pontos-base. Essa reação inicial refletiu a preocupação com a aceleração dos serviços.
Mudança de tendência no dia
No entanto, a trajetória da curva de juros mudou no Brasil após a notícia do cancelamento da entrevista de Bolsonaro. O mercado passou a precificar um cenário de maior alívio, levando as taxas a perderem força e a registrarem quedas no final da tarde, como mencionado anteriormente.
Previsão para a Selic
Apesar das oscilações, a curva de juros continuou a indicar uma probabilidade maior de o Banco Central manter a taxa básica de juros, a Selic, em 11% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em janeiro. A analista Laís Costa, da Empiricus Research, apontou que a curva precificava cerca de 70% de chances de manutenção da Selic em 11%, contra 30% de possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual.
Mercado internacional e fechamento
Comportamento dos Treasuries
No cenário internacional, o rendimento do Treasury de dez anos, uma referência global, apresentou estabilidade, negociando a 4,171% por volta das 16h34. Este movimento mais contido no exterior também contribuiu para a busca por estabilidade nos mercados locais.
Próximos dias de negociação
Em função do feriado de Natal, o mercado brasileiro de DIs não funcionou na quarta-feira. Os Treasuries nos Estados Unidos, contudo, permaneceram em negociação até às 16h, no horário de Brasília. Ambos os mercados estiveram fechados na quinta-feira, impactando o fluxo de notícias e negociações.
O movimento do dólar ante o real e a valorização do Ibovespa também acompanharam o sentimento positivo gerado pelo cancelamento da entrevista de Bolsonaro, mostrando uma sincronia nas reações do mercado financeiro a eventos políticos e econômicos.
Em suma, o dia foi de reajustes nos juros futuros, com o mercado absorvendo tanto os dados de inflação quanto as notícias políticas, resultando em leves quedas impulsionadas por um cenário político percebido como menos volátil.











