Haiti à beira do colapso: Violência e fome ameaçam milhões em 2026
A instabilidade política e a escalada da violência no Haiti, que se arrastam desde 2021, projetam um futuro ainda mais sombrio para o país em 2026. Um alarmante relatório divulgado pela organização não governamental IRC (Comitê Internacional de Resgate) revela que mais da metade da população haitiana corre um risco iminente de ser vítima de assassinatos, violência sexual, recrutamento forçado, deslocamento ou fome.
O documento, publicado recentemente, posiciona o Haiti em quinto lugar no ranking global de países que enfrentam crises humanitárias severas, precedido apenas por Sudão, Palestina, Sudão do Sul e Etiópia. A análise do IRC considera fatores cruciais como o estado da democracia, a criminalidade e a influência dos mercados ilegais na deterioração da situação.
A falta de governança efetiva e a ascensão de gangues armadas são os principais vilões deste cenário desolador. Conforme aponta o relatório, desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse em julho de 2021, o Haiti vive um ciclo vicioso de instabilidade política que o atual Conselho Presidencial de Transição tem sido incapaz de reverter. Essa fragilidade permitiu que gangues expandissem seu controle territorial, mergulhando 54% da população haitiana, o equivalente a 6,4 milhões de pessoas, em um estado de extrema vulnerabilidade e necessidade de assistência humanitária.
Gangues fortalecem controle e disseminam o terror
A atividade criminosa das gangues no Haiti atingiu níveis sem precedentes em 2025, conforme detalha o relatório do IRC. Nos primeiros nove meses do ano, aproximadamente 800 pessoas foram mortas, um número que **supera em mais do dobro** o registrado no mesmo período do ano anterior. Essa escalada da violência se traduz em sequestros, extorsões, atos de violência sexual e o alarmante recrutamento forçado, com um aumento de 700% no recrutamento de menores entre o primeiro trimestre de 2024 e o primeiro trimestre de 2025.
O documento alerta que esse crescimento explosivo é um forte indicador da **expansão da atividade das gangues** e do aumento do perigo para mulheres e crianças em 2026. Analistas independentes e outros relatórios recentes corroboram essa visão, destacando o papel central das gangues na perpetuação da crise. Um relatório do ACLED (Armed Conflict Event Location and Data Project), divulgado na semana passada, colocou o Haiti na oitava posição entre os locais mais perigosos do mundo devido à violência de gangues.
Em uma tentativa de conter a crise, o Conselho de Segurança da ONU aprovou em outubro a criação de uma força internacional para combater as gangues. Contudo, o IRC expressa ceticismo quanto à eficácia dessa medida, citando o histórico de fracasso de intervenções similares. O relatório adverte que essa nova missão poderá, paradoxalmente, desencadear **novos níveis de violência**, com civis presos no fogo cruzado entre gangues e forças de segurança.
Deslocamento em massa e fome assombram o Haiti
A expansão do domínio das gangues no Haiti tem como consequência direta o deslocamento forçado de milhares de pessoas e a **agravamento da crise de fome**. Segundo o relatório, 1,4 milhão de haitianos, cerca de 10% da população, foram forçados a abandonar seus lares para escapar da violência generalizada. Essas pessoas buscam refúgio em acampamentos improvisados, onde o acesso a alimentos e ajuda humanitária é severamente limitado, elevando a fome a níveis recordes.
O cenário de insegurança alimentar tende a piorar em 2026, à medida que a violência e o deslocamento continuam a crescer, ampliando o número de comunidades com acesso restrito à assistência humanitária. Pasteur Ruberintwari, Diretor Adjunto de Programas do IRC no Haiti, descreveu a situação como uma "crise sem precedentes e multifacetada", ressaltando a necessidade urgente de **aumento do financiamento** para atender às necessidades mais básicas da população.
O vácuo de poder e a falha na restauração da ordem
O relatório do IRC é enfático ao apontar que a **falta de governança efetiva** é um dos pilares da crise haitiana. As tentativas de restaurar a ordem no país, mesmo com apoio internacional, têm falhado repetidamente. O mandato do Conselho Presidencial de Transição, que atualmente administra o Haiti, está previsto para se estender até fevereiro de 2026, período que representa um **vácuo de poder** propício para a exploração por parte das gangues.
A ausência de segurança e de uma estrutura de governo sólida desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse permitiu que gangues armadas assumissem o controle de quase toda a capital, Porto Príncipe, e expandissem suas operações para as regiões norte e oeste do país. Essa proliferação da criminalidade e a fragilidade das instituições governamentais criam um ciclo vicioso de violência e instabilidade, com poucas perspectivas de melhora a curto prazo.
A vulnerabilidade de milhões em risco
O relatório do Comitê Internacional de Resgate (IRC) lança um alerta severo sobre o futuro do Haiti. A organização classifica o país caribenho como um dos mais críticos em termos de emergências globais, destacando a **vulnerabilidade extrema** de milhões de seus cidadãos. A análise da IRC considera diversas variáveis, incluindo o estado da democracia, o nível de criminalidade e a atuação de mercados ilegais, fatores que, em conjunto, pintam um quadro desolador.
A crise humanitária se manifesta de forma brutal, com projeções alarmantes para o próximo ano. A possibilidade de que mais da metade da população haitiana enfrente riscos como assassinato, violência sexual, recrutamento forçado, deslocamento ou fome é um chamado urgente à ação internacional. A falta de um governo estável e a ascensão de gangues armadas criaram um ambiente de **caos e insegurança** que agrava a situação em todos os níveis.
As tentativas de restabelecer a ordem e a segurança no Haiti, mesmo com o respaldo de apoio internacional, têm se mostrado insuficientes. O relatório aponta que o mandato do atual Conselho Presidencial de Transição, que irá até fevereiro de 2026, pode inadvertidamente criar um **vácuo de poder** explorado pelas gangues. A expansão dessas organizações criminosas, que já controlam grande parte da capital, Porto Príncipe, e avançam para outras regiões, é um dos principais fatores que contribuem para a deterioração da situação humanitária e de segurança no país.
A **intensificação da atividade das gangues** em 2025, com um aumento significativo no número de mortos, sequestros e extorsões, é um reflexo direto da fragilidade estatal. O recrutamento forçado, especialmente de menores, e os atos de violência sexual perpetrados por esses grupos aumentam o risco para as populações mais vulneráveis. O relatório da IRC sublinha a necessidade de uma resposta coordenada e robusta para mitigar esses riscos e oferecer assistência humanitária essencial a uma população que se encontra em uma situação de extrema precariedade.











