Congresso Nacional debate LDO 2026 com foco em emendas e fundo partidário
O **Congresso Nacional** se reúne em sessão conjunta nesta quinta-feira, 4, para analisar o **Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026**. A matéria, já aprovada na Comissão Mista de Orçamento (CMO), chega ao plenário dos deputados e senadores com alterações significativas em relação à proposta original do Executivo.
A **LDO** é o documento que estabelece as metas e prioridades do governo para o ano seguinte, servindo como guia para a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA). A análise deste projeto está atrasada, pois deveria ter ocorrido antes do recesso parlamentar.
Um dos pontos de maior destaque e que gerou intensas negociações entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional é a inclusão de um **calendário de pagamentos das emendas impositivas** no primeiro semestre de 2026. Essa demanda antiga dos parlamentares ganhou força em um ano eleitoral, visando o abastecimento das bases políticas antes das eleições. Conforme o relatório de Gervásio Maia (PSB-PB), aprovado pela CMO, **65% das emendas parlamentares de execução obrigatória**, tanto individuais quanto de bancadas, deverão ser quitadas até julho de 2026.
Calendário de Pagamento de Emendas Ganha Força
A inclusão do calendário de pagamentos das emendas impositivas representa uma vitória para os parlamentares, que buscavam garantir a liberação de recursos em tempo hábil para suas bases eleitorais. Essa é uma reivindicação que se arrasta há anos e que, finalmente, encontrou espaço na LDO de 2026.
O acordo prevê que **65% das emendas individuais e de bancadas** sejam pagas até julho do próximo ano. Além disso, mesmo sem previsão explícita no texto aprovado pela CMO, há um compromisso informal para o pagamento de **50% das emendas de comissão voltadas à saúde** no mesmo período. Essa articulação envolveu diretamente o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
Gervásio Maia, relator do projeto na CMO, chegou a afirmar que o texto foi construído em conjunto com o Palácio do Planalto. "Recebi ontem um texto das mãos da ministra Gleisi. O texto que nós aprovamos hoje foi construído no Palácio do Planalto", declarou Maia ao apresentar seu complemento ao voto.
Ajustes no Fundo Partidário e Impacto Fiscal
Outra alteração significativa aprovada durante a deliberação na CMO foi a previsão de **correção do Fundo Partidário desde 2016**. Segundo técnicos, essa medida pode gerar um custo adicional de aproximadamente **R$ 160 milhões**. O relator da LDO votou contra essa mudança, mas foi derrotado pela maioria.
A proposta visa adequar o reajuste do fundo às regras do **arcabouço fiscal**, permitindo uma elevação anual de até **2,5% acima da inflação**. Esse mecanismo automático de crescimento substitui a necessidade de negociações anuais para o reajuste do fundo, o que pode trazer maior previsibilidade para os partidos políticos.
A negociação para a inclusão desse item foi intensa, com o objetivo de harmonizar o aumento do fundo partidário com as restrições fiscais impostas pelo arcabouço. A decisão reflete a importância do tema para as legendas e a capacidade de articulação política no Congresso.
Outras Aprovações na Comissão Mista de Orçamento
Além da LDO de 2026, a CMO também aprovou, na véspera, um parecer preliminar da **Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026**. Neste parecer, estão previstos **R$ 40,8 bilhões em emendas impositivas**, demonstrando a força do Poder Legislativo na destinação de recursos.
Foi aprovado também o relatório sobre a **receita estimada para 2026**, com uma previsão de **R$ 6,5 trilhões**. A senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) foi responsável por refazer o cálculo da receita, adicionando cerca de **R$ 12,3 bilhões** à estimativa inicial. Essas projeções são cruciais para a definição das políticas públicas e dos investimentos que o governo poderá realizar no próximo ano.
O Papel da LDO na Gestão Pública
A **Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)** desempenha um papel fundamental na gestão fiscal do país. Ela não apenas orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), mas também estabelece as regras e prioridades para a execução do orçamento, garantindo que os recursos públicos sejam utilizados de forma eficiente e alinhada aos objetivos governamentais.
A aprovação da LDO de 2026 pelo Congresso Nacional é um passo essencial para a consolidação do planejamento orçamentário do governo federal. As discussões em torno das emendas parlamentares e do Fundo Partidário refletem a complexa relação entre o Executivo e o Legislativo na definição das prioridades nacionais e na alocação dos recursos públicos.
A expectativa é que a análise em sessão conjunta nesta quinta-feira consolide as decisões tomadas na CMO, permitindo que o governo avance na elaboração do orçamento de 2026 com as diretrizes aprovadas. A atenção agora se volta para os debates finais e para a votação que definirá o direcionamento das finanças públicas no próximo ano eleitoral.











