ATP Define Regra Contra Calor Extremo a Partir de 2026
A **ATP Tour**, entidade que comanda o tênis masculino mundial, anunciou uma importante mudança em seu regulamento. A partir de 2026, uma **nova política para condições de calor extremo** será implementada, visando proteger a saúde dos atletas.
A decisão surge após uma série de incidentes preocupantes em torneios recentes, onde altas temperaturas e umidade elevada levaram a abandonos e mal-estar entre os jogadores. O Masters de Xangai deste ano foi um dos palcos que evidenciou a necessidade de uma ação formal.
A nova regra trará uma abordagem estruturada e com respaldo médico para lidar com o estresse térmico, elevando o patamar de segurança para todos os envolvidos nas competições. A medida, divulgada pela ATP, promete maior clareza e objetividade nas decisões durante eventos com clima desafiador.
WBGT: O Novo Indicador de Calor para o Tênis
A principal novidade da política da ATP é a adoção do **Wet Bulb Globe Temperature (WBGT)**, um índice reconhecido internacionalmente para medir o estresse térmico do corpo humano. Este indicador leva em consideração não apenas a temperatura do ar, mas também a umidade, a radiação solar e a velocidade do vento, oferecendo uma avaliação mais precisa das condições reais de calor.
Segundo a ATP, a nova política estabelece **limiares claros** para a adoção de medidas de resfriamento e, em casos mais extremos, para a suspensão das partidas. O objetivo é garantir que tanto jogadores quanto outros profissionais do circuito estejam protegidos.
“A nova regra de calor oferece uma abordagem estruturada, com respaldo médico, para lidar com temperaturas extremas, com o objetivo de proteger a saúde dos jogadores”, afirmou a ATP em comunicado oficial, ressaltando o caráter preventivo da medida.
A entidade também destacou que a iniciativa beneficiará outras partes interessadas nos torneios. A segurança e o bem-estar de **torcedores, árbitros, boleiros e equipes de apoio** também serão aprimorados com a aplicação desta nova norma climática.
Pausas para Resfriamento e Suspensão de Jogos
O regulamento detalha os procedimentos a serem seguidos quando o índice WBGT atingir determinados níveis. Se o **WBGT chegar a 30,1°C ou mais** durante os dois primeiros sets de uma partida de simples disputada em melhor de três sets, qualquer um dos jogadores terá o direito de solicitar uma **pausa para resfriamento de 10 minutos**.
Esta pausa, que será válida para ambos os competidores, ocorrerá após o segundo set. Durante esse período, os atletas poderão se hidratar adequadamente, trocar de roupa, tomar banho e receber orientações médicas e técnicas, sempre sob a supervisão da equipe médica da ATP, garantindo um atendimento seguro e eficaz.
Em situações de calor ainda mais severo, a ATP estabeleceu um limite para a continuidade das partidas. Os jogos serão **suspensos quando o WBGT ultrapassar 32,2°C**, um patamar considerado de altíssimo risco para a saúde humana, prevenindo assim episódios de insolação e exaustão.
Incidente em Xangai e Demandas por Mudanças
A necessidade de uma regra formal ganhou força após episódios recentes que chamaram a atenção para os perigos do calor extremo no tênis. No Masters de Xangai, em outubro, o tenista italiano Jannik Sinner, então número dois do mundo, sofreu com cãibras severas na coxa direita, a ponto de ter dificuldades para caminhar.
Sinner foi forçado a abandonar a partida contra Tallon Griekspoor, encerrando de forma dramática sua campanha no torneio. O incidente evidenciou a fragilidade dos atletas diante de condições climáticas adversas e a falta de um protocolo claro para essas situações.
Outro caso notório foi o do sérvio Novak Djokovic, que chegou a **vomitar em quadra** durante seu confronto com Yannick Hanfmann, demonstrando o impacto do calor em seu desempenho e bem-estar físico. A situação gerou preocupação entre fãs e especialistas.
O tenista dinamarquês Holger Rune também expressou sua insatisfação e preocupação. Durante um atendimento médico em sua partida contra Ugo Humbert, Rune questionou um árbitro sobre a necessidade de os jogadores “morrerem em quadra” diante do calor e da umidade, clamando por mais atenção à saúde dos atletas.
A demanda por uma política específica da ATP já havia surgido em agosto, durante o torneio de Cincinnati. Na ocasião, o francês Arthur Rinderknech desmaiou em quadra em condições sufocantes de calor, sendo forçado a entregar a vitória a Felix Auger-Aliassime, reforçando a urgência da questão.
Alinhamento com Outras Entidades e Esportes
Com a nova regra, a ATP se alinha às práticas já adotadas por outras organizações do tênis. A **WTA**, que organiza o circuito feminino, já possui políticas semelhantes para lidar com o calor extremo, garantindo um padrão de segurança para ambas as modalidades.
Os quatro torneios do Grand Slam, os eventos mais prestigiados do tênis, também implementaram formalmente normas que permitem pausas estendidas e a suspensão de partidas em condições climáticas extremas. Essa convergência demonstra um compromisso unificado do esporte com a saúde dos competidores.
A tendência de regulamentações para o calor extremo não se restringe ao tênis. Outros esportes profissionais de alto rendimento, como o **futebol, a Fórmula 1 e o ciclismo**, já contam com políticas formais estabelecidas para gerenciar e mitigar os riscos associados a condições climáticas adversas.
Antes desta mudança, a ATP dependia da avaliação de um supervisor presente no local, em coordenação com as equipes médicas e autoridades locais, para decidir sobre a suspensão de jogos. A nova política traz maior objetividade e padronização a essas decisões, com base em dados científicos do WBGT.
A implementação da nova regra de calor extremo a partir de 2026 representa um avanço significativo na proteção da saúde dos tenistas, refletindo uma preocupação crescente com o bem-estar dos atletas em um cenário esportivo cada vez mais exigente e com desafios climáticos.











