Abel Braga: “Quem perde um filho não é homofóbico”, rebate após polêmica

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Abel Braga rebate acusações de homofobia após fala polêmica

O técnico do Internacional, Abel Braga, veio a público para se defender das acusações de homofobia que surgiram após uma declaração feita em sua apresentação no clube. O comandante do Colorado buscou se justificar em uma coletiva de imprensa realizada após a derrota do time para o São Paulo por 3 a 0, nesta quarta-feira (3).

Durante a entrevista, Abel Braga, de 73 anos, relembrou a dolorosa perda de seu filho, João Pedro, que faleceu aos 19 anos, para embasar sua defesa. A polêmica se iniciou quando o treinador, ao comentar sobre os uniformes de treino do time, fez uma declaração considerada homofóbica por parte da imprensa e do público.

Abel Braga retornou ao Internacional em um momento delicado para o clube, que ocupa a 17ª posição no campeonato brasileiro e corre sério risco de rebaixamento. A diretoria buscou no técnico um nome de peso e com história para tentar reverter o quadro.

A origem da polêmica: a fala sobre o uniforme rosa

A declaração que gerou a controvérsia ocorreu durante a apresentação de Abel Braga ao Internacional, no último domingo (30). Ao comentar sobre o trabalho de Andrés D’Alessandro na diretoria, o técnico relatou uma conversa informal no vestiário, descrevendo uma situação que ele mesmo classificou como uma "brincadeira".

"Eu fiz uma brincadeira. No fundo, ele (D’Alessandro) deu esporro em todo mundo. Eu falei: ‘Pô, eu não quero a porra do meu time treinando de camisa rosa, parece time de veado’", afirmou Abel Braga na ocasião. A referência era ao conjunto rosa que o elenco colorado vinha utilizando nas atividades de treinamento.

Essa fala repercutiu rapidamente, gerando críticas de apresentadores esportivos em programas de TV e até mesmo atenção da imprensa internacional, que classificou a declaração como um "escândalo" e "fala homofóbica".

A defesa de Abel Braga: a dor da perda como argumento

Quatro dias após a declaração polêmica, no estádio Beira-Rio, Abel Braga buscou esclarecer seu ponto de vista. Ele admitiu que errou ao fazer o comentário e pediu desculpas, mas também fez um apelo para que sua fala fosse compreendida em um contexto mais amplo de sua vida pessoal.

"Eu quero fazer uma colocação daquilo que houve lá na última coletiva, onde eu fui relatar uma brincadeira que aconteceu no treinamento e isso criou uma polêmica muito grande. Eu já me desculpei, não deveria ter falado absolutamente nada naquele momento", disse o treinador.

Em um momento de forte emoção, Abel Braga continuou: "Só quero que vocês entendam uma coisinha, preciso fazer esse parênteses porque é a minha vida. Eu perdi um filho com 19 anos. Quem perde um filho não é homofóbico. Quero que vocês entendam isso. Foi uma brincadeira que eu fui o juvenil, não devia ter falado nada ali e pronto, aquilo passava".

Relembrando João Pedro Braga

João Pedro Braga, filho do treinador, faleceu em 2017. A tragédia ocorreu quando ele caiu da cobertura do prédio onde morava com os pais, no bairro do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Na época, Abel Braga comandava o Fluminense.

A menção à perda do filho por Abel Braga busca, aparentemente, afastar qualquer tipo de preconceito de sua parte, sugerindo que alguém que passou por uma dor tão profunda não seria capaz de ter sentimentos homofóbicos. Ele classificou a fala como uma "brincadeira de juvenil", indicando que não teve a intenção de ofender ou discriminar.

O contexto da chegada de Abel ao Internacional

A contratação de Abel Braga pelo Internacional aconteceu em meio a uma das maiores crises da temporada do clube. No sábado anterior à apresentação do técnico, no dia 29 de outubro, o presidente Alessandro Barcellos demitiu Ramón Díaz.

A decisão pela demissão de Díaz veio após a contundente derrota do Inter por 5 a 1 para o Vasco da Gama, um resultado que agravou consideravelmente o risco de rebaixamento do time gaúcho para a segunda divisão do futebol brasileiro.

Diante de um cenário de urgência e sem margem para erros, a diretoria do Internacional optou por buscar um nome de forte identificação com o clube e com um histórico vitorioso. Abel Braga não comandava uma equipe profissional desde 2022, quando deixou o Fluminense. Sua passagem mais recente pelo Internacional foi em 2020.

A expectativa é que a experiência e o carisma de Abel Braga possam inspirar o grupo e afastar o Internacional da zona de perigo do Campeonato Brasileiro. No entanto, a polêmica declaração inicial lança uma sombra sobre o início de seu trabalho, exigindo cuidado e sensibilidade na comunicação do treinador.

A busca por um desempenho melhor e a permanência na Série A do Brasileirão são os principais objetivos do clube neste final de temporada. A capacidade de Abel Braga de gerenciar o grupo e lidar com a pressão, tanto dentro quanto fora de campo, será fundamental para o sucesso dessa missão.

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