Entenda a extensão do prazo
A saga dos chamados arquivos Epstein ganhará novos capítulos e se estenderá até o ano de 2026. Inicialmente, havia um prazo para que todos os registros fossem divulgados, mas descobertas recentes mudaram esse cenário.
Um projeto de lei aprovado quase unanimemente pelo Congresso no mês passado exige que o Departamento de Justiça (DOJ) torne públicos todos os seus arquivos relacionados a Jeffrey Epstein, o financista condenado por crimes sexuais contra dezenas de menores de idade. Epstein cometeu suicídio em 2019.
Novos documentos descobertos
A Justiça dos Estados Unidos anunciou ter encontrado mais de um milhão de documentos que podem estar relacionados ao caso Epstein. Essa descoberta inesperada, feita na última quarta-feira (24), impactou diretamente o cronograma de divulgação.
O DOJ informou que a revisão e liberação desses novos materiais exigirão “semanas”, o que justificou o adiamento do prazo original, que era 19 de dezembro.
O que já foi divulgado
Desde que a lei de transparência entrou em vigor, o Departamento de Justiça tem liberado centenas de milhares de arquivos em uma seção específica de seu site, denominada “Biblioteca Epstein”. Essa biblioteca reúne documentos judiciais, respostas a pedidos de acesso à informação e registros previamente divulgados pelo Comitê da Câmara sobre Supervisão e Reforma do Governo.
A primeira grande liberação ocorreu em 19 de dezembro, com a promessa de centenas de milhares de documentos. Um segundo lote, maior, foi publicado em 23 de dezembro, contendo quase 30 mil páginas adicionais. Registros anteriormente divulgados pela Câmara também foram republicados.
Categorias da Biblioteca Epstein
A “Biblioteca Epstein” está organizada em quatro categorias principais:
- Registros Judiciais: Contém peças públicas de mais de 50 processos civis e criminais envolvendo Epstein e Ghislaine Maxwell.
- Lei de Liberdade de Informação: Reúne documentos liberados ao longo dos anos pelo FBI e outras agências via pedidos de acesso.
- Divulgações da Câmara: Um link direto para os materiais divulgados pelo Comitê de Supervisão da Câmara.
- Divulgações do DOJ: A categoria que concentra a maior parte do material novo, incluindo informações sobre intimações relacionadas a Mar-a-Lago e voos de Donald Trump no jato de Epstein nos anos 90.
Conteúdo de destaque e controvérsias
Nessa categoria principal, surgiram detalhes como uma intimação de 2021 a Mar-a-Lago antes do julgamento de Maxwell e um e-mail de promotores federais sobre Trump ter voado no jato de Epstein. Novas fotos do ex-presidente Bill Clinton com o magnata e com Ghislaine Maxwell também vieram à tona.
Uma carta manuscrita supostamente assinada por Epstein, com referências obscenas a Trump e endereçada a Larry Nassar, viralizou, mas o DOJ posteriormente anunciou que o documento era falso. A justificativa para a divulgação foi a exigência legal de tornar públicos todos os documentos relacionados a Epstein, mesmo que falsos.
O volume de documentos restantes
Inicialmente, esperava-se a divulgação de centenas de milhares de arquivos adicionais. No entanto, a descoberta de mais de um milhão de documentos adicionais pelo escritório do DOJ em Manhattan e pelo FBI mudou drasticamente essa perspectiva.
O Departamento de Justiça solicitou paciência, informando que advogados estão trabalhando intensamente na revisão desses materiais, mas que o processo pode levar “mais algumas semanas” para que todos os novos documentos sejam publicados.
Reações e críticas
A extensão do prazo gerou indignação bipartidária no Capitólio e entre as vítimas de Epstein. Questionamentos surgiram sobre como tantos novos arquivos puderam ser descobertos tão recentemente, especialmente após um ano de investigações e exigências de transparência.
Advogados de vítimas e parlamentares expressaram frustração, considerando o processo um “desastre” e uma falha em cumprir promessas de divulgação rápida e completa. A preocupação é que documentos cruciais possam permanecer ocultos.
O que ainda pode ser revelado
Ainda não está totalmente claro o conteúdo do novo lote de um milhão de documentos. Contudo, sabe-se que eles vêm do FBI e do Distrito Sul de Nova York, áreas diretamente envolvidas nas investigações e processos contra Epstein e Maxwell.
Registros judiciais do caso Maxwell indicam que milhões de documentos foram produzidos durante a fase de produção de provas para o julgamento, o que sugere a vasta quantidade de material ainda sob análise.
Documentos de interesse específicos
O deputado Ro Khanna, um dos defensores mais vocais da divulgação, expressou seu interesse em um rascunho de denúncia com 60 acusações contra Epstein, elaborado em 2007, mas nunca protocolado. Um memorando de 82 páginas em apoio a essa denúncia também é de grande interesse.
Esses documentos poderiam esclarecer detalhes sobre as acusações federais que Epstein evitou ao se declarar culpado de acusações estaduais na Flórida em 2008. A sentença branda que ele recebeu, permitindo trabalho externo, continua sendo um ponto de grande controvérsia.
Ameaças de responsabilização
Deputados como Ro Khanna e Thomas Massie, coautores da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, ameaçaram buscar responsabilização por desacato contra líderes do DOJ caso os documentos exigidos por lei não sejam divulgados integralmente.
A expectativa agora é por uma divulgação completa e transparente, que finalmente traga à luz todos os detalhes relevantes dos arquivos Epstein, garantindo que as vítimas recebam a justiça que merecem e que o público tenha acesso à informação completa.











