Rússia e China criticam pressão dos EUA sobre Venezuela na ONU
Nações acusam Washington de violar leis internacionais e impor sua vontade sobre a Venezuela, em um embate diplomático acirrado no Conselho de Segurança da ONU. A tensão se intensifica com a apreensão de navios petroleiros venezuelanos pelos Estados Unidos.
A China e a Rússia manifestaram forte oposição à campanha de pressão orquestrada pelos Estados Unidos contra a Venezuela. Durante uma sessão do Conselho de Segurança da ONU, ambos os países acusaram Washington de infringir o direito internacional e de tentar impor sua agenda a nações soberanas. A medida mais recente e criticada pelos russos e chineses envolve o bloqueio e a apreensão de navios que transportam petróleo venezuelano.
Bloqueio de navios é ato de agressão
O embaixador russo, Vasily Nebenzya, classificou as ações americanas de bloqueio a navios sancionados que entram e saem da Venezuela como um claro ato de agressão. Segundo ele, os Estados Unidos carregam a responsabilidade pelas "consequências catastróficas de tal conduta prepotente". Nebenzya ainda ressaltou que a soberania e os interesses de outros países só são respeitados por Washington quando se alinham aos interesses americanos.
"Em Washington, eles estão dispostos a respeitar sua independência e levar em conta seus interesses somente se vocês estiverem dispostos a adaptá-los aos interesses dos Estados Unidos e a conduzir uma política que seja conveniente e benéfica para eles... Portanto, não perguntem por quem os sinos soam. Os sinos soam por vocês", declarou o diplomata russo, em uma fala contundente.
China pede fim da escalada de tensões
O representante chinês, Sun Lei, também se pronunciou, solicitando que os Estados Unidos cessem suas ações e evitem uma escalada ainda maior das tensões regionais. Ele enfatizou que a China se opõe firmemente a quaisquer atos de unilateralismo e intimidação.
"A China se opõe a todos os atos de unilateralismo e intimidação e apoia todos os países na defesa de sua soberania e dignidade nacional", afirmou Sun Lei. A posição chinesa reitera o compromisso com a não intervenção e o respeito à autodeterminação dos povos.
Venezuela descreve campanha como extorsão
O representante venezuelano, Samuel Moncada, descreveu a campanha de pressão dos EUA como a "maior extorsão conhecida em nossa história". Ele acusou os Estados Unidos de tentarem anexar todo o Caribe através da apreensão de petroleiros em alto-mar. Para Moncada, o uso da força estatal para confiscar bens em águas internacionais transcende a pirataria.
"O uso ilegal da força estatal para cometer roubos em alto-mar é pior do que a pirataria, pior do que a pirataria, já que, neste caso, não se trata apenas do roubo de embarcações comerciais – o que é uma evidência de intencionalidade e violação de seus direitos de navegação em águas internacionais – mas também da anexação de fato de todo o Mar do Caribe por uma potência naval", disse o embaixador venezuelano.
EUA insistem em sanções contra Maduro
Por outro lado, o embaixador dos EUA, Mike Waltz, reiterou que o país continuará a impor e fazer cumprir as sanções. O objetivo, segundo ele, é privar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, dos recursos que os EUA alegam que ele utiliza para financiar atividades de cartéis. Waltz afirmou que os petroleiros sancionados são a principal fonte de renda para o que ele chamou de "regime ilegítimo" de Maduro e que estes recursos também financiariam o "grupo narcoterrorista Cartel de los Soles", acusações que a Venezuela já negou anteriormente.
A apreensão de dois petroleiros nas últimas semanas e a perseguição a um terceiro desde domingo (21) demonstram a intensidade da política de sanções adotada pelos Estados Unidos. A Venezuela, por sua vez, busca apoio internacional para contestar essas medidas, que considera ilegais e prejudiciais à sua soberania.
Brasil pede fim do bloqueio
O Brasil também se manifestou na ONU, defendendo que os Estados Unidos violam a Carta da ONU e pedindo o fim do bloqueio na Venezuela. A posição brasileira reforça a preocupação com as ações unilaterais e seu impacto na estabilidade regional e no direito internacional. O país sul-americano historicamente preza pela não intervenção e pela solução pacífica de controvérsias.
A discussão na ONU evidencia a profunda divisão global sobre a situação venezuelana e as táticas adotadas pelos Estados Unidos. Enquanto Washington defende suas ações como necessárias para combater a ditadura e o narcotráfico, Rússia, China e Venezuela as consideram violações flagrantes do direito internacional e da soberania nacional. A comunidade internacional segue dividida, com o desfecho dessas tensões ainda incerto.











