Pix por Biometria: A Nova Fronteira de Pagamentos no Brasil pela dLocal
A startup uruguaia de processamento de pagamentos, dLocal, está apostando alto na integração do Pix por biometria para otimizar a experiência de milhões de consumidores brasileiros. Sob a liderança de Pedro Arnt, ex-CFO do Mercado Livre e agora co-CEO da dLocal, a empresa busca simplificar transações e atrair novos mercados, após superar um período de turbulência no mercado financeiro.
A nova modalidade de pagamento, que permite autenticar transações instantâneas usando reconhecimento facial ou impressão digital sem a necessidade de acessar o aplicativo do banco, chega em um momento de renovado otimismo para a fintech. Com clientes de peso como Netflix, Spotify, Amazon e Shein, a dLocal se posiciona na vanguarda da inovação em pagamentos digitais no país.
“Para o consumidor brasileiro, a experiência de pagar com Pix não é muito boa. Exige redirecionamentos, preencher vários campos, copiar e colar dados, coisas que, com certeza, estão gerando fricção e um vazamento e uma perda de transações enorme”, explica Arnt. A introdução do Pix por biometria visa justamente eliminar esses gargalos, tornando o processo mais rápido, seguro e intuitivo.
Expansão e Recuperação Pós-Crise
A dLocal tem demonstrado um forte ímpeto de crescimento em 2024, com sua primeira aquisição fora da América Latina e um plano de expansão ambicioso. Essa trajetória otimista contrasta com o susto de 2022, quando as ações da fintech sofreram uma queda acentuada em Wall Street, impulsionada por um relatório da Muddy Waters Research que gerou aversão no mercado. Pedro Arnt, que ingressou na companhia após este período, garante que a crise de desconfiança foi "superada".
A obtenção da autorização do Banco Central para atuar como instituição de pagamentos no Brasil, em 2025, foi um passo crucial para a implementação de novas ferramentas como o Pix por biometria. A dLocal, como participante direta do Pix e Inicadora de Transação de Pagamento (ITP), está habilitada a oferecer uma gama completa de serviços Pix, incluindo Pix Automático, Pix Recorrente e o já mencionado Pix com Biometria.
A licença do Banco Central não apenas reforça a confiança dos grandes clientes globais da dLocal, mas também assegura que a empresa opera em conformidade com o marco regulatório brasileiro. “Para poder fazer tudo isso, ter a licença do Banco Central é importante, não só pela confiança que gera aos nossos grandes clientes globais, mas também para garantir que nós estamos operando dentro do marco regulatório do Brasil”, afirma Arnt.
Gigantes Globais e o Mercado Chinês
Entre os principais clientes da dLocal estão gigantes do varejo online e de streaming, como Netflix, Amazon e Shein. A empresa atua como uma infraestrutura tecnológica e regulatória, permitindo que essas plataformas ofereçam diversas formas de pagamento aos seus usuários no Brasil e em outros mercados emergentes. A expansão para além da América Latina demonstra a ambição global da dLocal.
O CEO destaca a importância crescente dos clientes chineses, como a Shein, que oferecem produtos a preços acessíveis e têm uma forte tendência de crescimento na América Latina. A influência de redes sociais como o TikTok é um fator chave na demanda por esses produtos. Arnt observa que, devido a questões geopolíticas, empresas chinesas têm voltado seu foco para mercados fora dos Estados Unidos.
“As empresas chinesas começam a ver mercados como o americano um pouco mais fechados a eles. O resto do mundo, e particularmente o resto do mundo emergente, América Latina, África e Ásia, se tornam um foco de maior relevância para eles”, pontua. Essa estratégia de diversificação geográfica beneficia empresas como a dLocal, que operam em múltiplos mercados emergentes.
Inovação e o Cenário Regulatório Brasileiro
A dLocal, sediada em Montevidéu, Uruguai, opera em mais de 40 países e foi listada na Nasdaq em 2021, arrecadando US$ 617,65 milhões em sua oferta pública inicial. Com mais de 1.500 funcionários, a empresa registrou um Volume Total de Pagamentos (TPV) de US$ 25,6 bilhões no ano fiscal de 2024, demonstrando sua escala e relevância no mercado global.
Em relação à recente aprovação do projeto que aumenta as alíquotas de CSLL para fintechs na Câmara dos Deputados, Pedro Arnt adotou uma postura ponderada. Ele reconhece que o Brasil tem políticas de incentivo à inovação no setor, citando o próprio Pix como exemplo. “Se nós olharmos o impacto e inclusão financeira para o Brasil, que tem ocorrido ao longo dos últimos 10 anos, consequência de startups e inovação, o Brasil realmente tem mostrado ser um dos países que melhor trabalho tem feito.”
Arnt sugere que é preciso dar o benefício da dúvida ao governo e buscar um "equilíbrio" que permita o crescimento das fintechs, ao mesmo tempo em que garante que elas sejam tratadas de forma adequada à sua escala. “Muitas dessas fintechs já tem uma escala e já tem um tamanho onde elas já não precisam necessariamente de ser tratadas como pequenas startups”, concluiu.











