Volkswagen no Salão do Automóvel: um retorno incerto para 2027
O possível retorno da Volkswagen ao Salão do Automóvel, um dos eventos mais aguardados pelo setor automotivo brasileiro, está condicionado a uma reformulação significativa do formato da feira. Segundo Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil, a participação da montadora dependerá da criação de um evento que seja considerado mais "forte" e atrativo para todas as marcas envolvidas.
Possobom expressou que a ausência de diversas montadoras importantes nas edições recentes do Salão acabou por diluir o impacto e a relevância da feira. Ele afirmou não se arrepender da decisão da Volkswagen de não participar, mas ponderou que o modelo atual, com estandes menores e pouca inovação, pode não ser o que o público espera encontrar em um evento desse porte.
O executivo destacou que um salão "forte" para a Volkswagen significa a presença de todas as marcas relevantes do mercado, criando um ambiente mais competitivo e gerando maior interesse do público. Essa visão, aliada a uma avaliação crítica do formato tradicional de "galpão fechado", sugere que a montadora busca uma experiência mais dinâmica e engajadora para seus consumidores, inspirada em modelos de eventos automotivos observados na Europa.
O que define um "Salão Forte" para a Volkswagen
Ciro Possobom explicou que, para a Volkswagen, um Salão do Automóvel de sucesso é aquele que conta com a **presença de todas as marcas importantes do mercado**. Ele observou que, embora algumas marcas relevantes tenham participado da última edição, a ausência de outras diluiu o impacto geral do evento.
"Salão forte para mim é com presença de todas as marcas, né? Então, acho que é isso que é importante, né? Tiveram marcas importantes lá, mas muita gente ficou de fora", declarou Possobom em entrevista exclusiva ao g1. Essa declaração reforça a ideia de que a **Volkswagen busca um evento mais coeso e representativo do setor automotivo nacional**.
O presidente da montadora ponderou que, caso o Salão do Automóvel passe por uma reestruturação e se torne mais atrativo, a Volkswagen pode considerar um retorno em 2027. Ele mencionou que o formato atual, com estandes menores e um modelo que ele descreveu como "pouco inovador", não atende às expectativas da empresa nem, possivelmente, do público.
Inovação e formatos alternativos em eventos automotivos
Possobom sugeriu que o formato atual do Salão do Automóvel, caracterizado por estandes em espaços fechados, pode não ser o ideal para atrair e engajar o público. Ele mencionou ter acompanhado eventos na Europa que adotam **formatos diferentes, mais abertos e integrados à paisagem urbana**, como feiras em praças públicas.
"Acho que pode ser maior. A gente participou de alguns eventos na Europa que são diferentes, diferentes formatos de salão, aberto ao público, em praças. Acho que ficar naquele modelo do salão de galpão fechado, com cada um num canto, talvez não seja o que o público queira", avaliou o executivo. Essa comparação aponta para uma busca por experiências mais imersivas e menos restritas.
A Volkswagen, assim como outras montadoras, busca se adaptar às novas tendências de consumo e engajamento. A ideia de um evento mais dinâmico, que vá além da simples exposição de veículos, parece ser um fator chave para a decisão de participação da marca em futuras edições do Salão do Automóvel. A avaliação é que o público moderno busca interatividade e experiências memoráveis.
Ausências notáveis no Salão e o futuro da eletrificação
Além da Volkswagen, diversas outras montadoras de peso também optaram por não participar do Salão do Automóvel em suas últimas edições, incluindo Audi, BMW, Chevrolet, Ford, Jaguar, Land Rover, Mercedes, Nissan, Porsche e Volvo. Essa lista extensa de ausências corrobora a percepção de Possobom sobre a necessidade de um evento mais robusto e atrativo para o setor como um todo.
A entrevista com Ciro Possobom também abordou outros temas importantes, como a **percepção de sucesso de um novo modelo**, onde ele explicou que o potencial de um carro, como o recém-lançado Tera, geralmente se torna claro entre três e seis meses antes do lançamento, com base no design, motor e outros atributos já definidos. O sucesso estrondoso do Tera, com 12.200 unidades vendidas em menos de uma hora, exemplifica essa percepção de potencial.
No que diz respeito à eletrificação, Possobom detalhou os desafios enfrentados pela Volkswagen no Brasil. Ele explicou que eletrificar a linha atual de veículos, como o Tera, que tem um preço médio de R$ 120 mil, aumentaria significativamente o custo, tornando-o inacessível para o consumidor médio. Um híbrido leve poderia custar R$ 10 mil a mais, e um híbrido completo, R$ 30 mil a R$ 40 mil a mais.
"Um cliente de R$ 120 mil não é o mesmo de R$ 160 mil. Então eu tenho que ter muito cuidado quando você adota algumas tecnologias, para talvez não desposicionar e o brasileiro não conseguir pagar", afirmou Possobom. Essa preocupação com o **custo e a acessibilidade** é um fator crucial na estratégia da Volkswagen para introduzir veículos eletrificados no mercado brasileiro. A empresa planeja que todos os lançamentos a partir de 2026 terão ao menos uma versão eletrificada, com foco em híbridos flex, devido ao uso intenso de veículos no Brasil e ao perfil do consumidor.
O mercado automotivo brasileiro: SUVs em alta e desafios econômicos
A entrevista também tocou no tema da preferência do consumidor brasileiro por SUVs, que superaram os hatches em vendas desde 2020, representando 54% dos emplacamentos, contra 24,6% dos hatches. Apesar dessa tendência, Possobom ressaltou que o segmento de hatches continua sendo importante, mesmo com a Volkswagen oferecendo seis SUVs contra apenas dois hatches em sua linha atual.
O presidente da Volkswagen também comentou sobre os fatores que poderiam impulsionar o mercado automotivo brasileiro, que deve fechar 2025 com 2,55 milhões de veículos emplacados, um avanço de 3% em relação ao ano anterior. Ele apontou três fatores cruciais: **juros mais baixos**, **maior produção nacional** e **regulamentação mais flexível**.
"Um ponto é a parte de juros. Eu acho que é importante. É o primeiro ponto que poderia realmente ajudar bastante ali", disse Possobom, referindo-se à taxa Selic em 15%. Ele acredita que um aumento na produção nacional, por exemplo, de 600 mil para 700 mil ou 800 mil carros, reduziria custos e tornaria os veículos mais competitivos. Além disso, ele criticou a legislação de emissão de poluentes no Brasil, que considera mais "pesada" que na Europa e nos Estados Unidos, gerando custos adicionais nos veículos.
A discussão sobre o futuro do Salão do Automóvel, a estratégia de eletrificação da Volkswagen e os desafios do mercado brasileiro demonstram um setor em constante transformação, buscando novas formas de engajar consumidores e se adaptar às demandas globais e locais.











