Trump Ameaça Ataque Terrestre à Venezuela 17 Vezes: “Mais Fácil”

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Trump intensifica pressão com ameaça de ataque terrestre à Venezuela

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sinalizado repetidamente a possibilidade de uma ação militar terrestre contra a Venezuela. Desde meados de setembro, Trump insinuou ou declarou abertamente planos de uma intervenção em solo venezuelano em pelo menos 17 ocasiões, conforme análise de declarações públicas. Esta retórica militar tem sido acompanhada por uma demonstração de força na região, incluindo a mobilização de aproximadamente 15 mil soldados americanos e uma frota de mais de uma dúzia de navios de guerra. Ações como ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas e a apreensão de um petroleiro com petróleo venezuelano reforçam a estratégia de pressão.

A escalada de tensões culminou com o anúncio de um "bloqueio total e completo" a petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela, intensificando o cerco econômico ao governo de Nicolás Maduro. A Casa Branca, através de sua chefe de gabinete, Susie Wiles, indicou que o objetivo principal é a remoção de Maduro do poder. "Ele quer continuar explodindo navios até que Maduro desista", declarou Wiles, sugerindo que Trump acredita na eficácia de suas táticas para forçar a saída do ditador venezuelano.

A estratégia do governo Trump visa, oficialmente, combater o fluxo ilegal de drogas e migrantes provenientes da Venezuela. No entanto, as ações demonstram uma campanha abrangente para pressionar o regime de Maduro. Diversas opções foram apresentadas a Trump por sua equipe, incluindo ataques aéreos a instalações estratégicas e operações mais diretas para depor o líder venezuelano. Contudo, o presidente tem focado sua atenção na ameaça de incursões terrestres, abordando o tema de forma espontânea em diversos eventos.

Ameaças de Invasão Terrestre Repetidas por Trump

Em 15 de setembro, durante um evento sobre assistência policial, Trump alertou: "Estamos alertando os cartéis agora mesmo. Vamos detê-los também. Quando vierem por terra, vamos detê-los da mesma forma que detivemos os barcos. E vocês verão". A declaração prenunciava uma mudança de tática, caso as ações marítimas não surtissem o efeito desejado.

Em 5 de outubro, a bordo do porta-aviões USS Harry S. Truman, Trump reiterou a possibilidade de uma invasão terrestre: "Eles não virão mais pelo mar. Então, agora teremos que começar a procurar por terra, porque eles serão forçados a vir por terra. Isso também não vai funcionar para eles." A frase sugere que a Venezuela seria forçada a mudar suas rotas, tornando a ação terrestre uma consequência inevitável.

As ameaças continuaram em 22 de outubro, quando Trump, em reunião com o chefe da OTAN, Mark Rutte, afirmou que planejava "atacá-los com muita força quando chegassem por terra". Ele acrescentou que os EUA estavam "totalmente preparados para fazê-lo" e que "provavelmente voltaremos ao Congresso e explicaremos exatamente o que estamos fazendo quando chegarmos lá". No dia seguinte, em uma mesa-redonda sobre segurança nacional, o presidente declarou: "Terras serão o próximo passo".

Cronograma "Muito Breve" e Facilidade da Ação Terrestre

Em 24 de outubro, Trump ofereceu um cronograma "muito breve" para possíveis ações, falando com repórteres a bordo do Air Force One. A possibilidade de tropas americanas na Venezuela não foi descartada em 17 de novembro, durante uma reunião do grupo de trabalho da FIFA. Falando com tropas americanas no Dia de Ação de Graças, Trump mencionou: "As pessoas não querem fazer entregas por mar, e começaremos a impedi-las também por terra. Por terra é mais fácil, mas isso começará muito em breve."

A ideia de que o ataque terrestre seria "mais fácil" do que as ações marítimas foi reforçada em 2 de dezembro, durante uma reunião de gabinete. "Estamos realizando esses ataques e também vamos começar por terra. Sabe, em terra é muito mais fácil, muito mais fácil", explicou. No dia seguinte, em 3 de dezembro, ele sugeriu: "vamos começar muito em breve em terra firme".

Em 6 de dezembro, em um jantar em homenagem ao Kennedy Center, Trump prometeu: "Vamos iniciar o mesmo processo no terreno, porque conhecemos todas as rotas. Conhecemos todas as casas. Sabemos onde eles moram." A retórica agressiva continuou em uma entrevista concedida ao Politico em 8 de dezembro, onde Trump repetiu a expressão "muito em breve". Ele reiterou a mesma frase três dias depois, ao assinar uma ordem executiva.

No dia seguinte, durante o evento "Milagre no Gelo", em homenagem à seleção masculina de hóquei no gelo dos EUA, Trump causou polêmica ao usar o presente do indicativo pela primeira vez: "E agora estamos começando em terra, e em terra é muito mais fácil, e isso vai começar a acontecer". Esta semana, ele retomou a abordagem ao discursar em um evento sobre defesa de fronteiras: "Vamos começar a atacá-los em terra, o que, francamente, é muito mais fácil".

Pressão Econômica e Bloqueio de Petroleiros

As ameaças de Trump ganharam uma nova dimensão econômica em 16 de dezembro, com o anúncio do bloqueio de petroleiros. A medida sugere que a Venezuela deveria ceder território, petróleo e ativos aos Estados Unidos. "A Venezuela está completamente cercada pela maior marinha já reunida na história da América do Sul. Ela continuará a crescer, e o choque para eles será algo nunca visto antes, até que devolvam aos Estados Unidos todo o petróleo, terras e outros bens que nos roubaram", escreveu Trump em redes sociais.

Essa combinação de ameaças militares e pressão econômica coloca Caracas em alerta máximo, preparando o país para a possibilidade de o presidente americano cumprir suas promessas. A estratégia de Trump visa isolar e enfraquecer o regime de Maduro, com o objetivo final de sua deposição. As ações dos EUA, incluindo a mobilização militar e as sanções econômicas, demonstram um compromisso firme com essa política.

A retórica de Trump sobre a facilidade de um ataque terrestre contrasta com a complexidade de uma intervenção militar em larga escala. No entanto, a repetição constante dessas ameaças sugere uma intenção clara de manter a pressão psicológica e econômica sobre o governo venezuelano. A comunidade internacional observa atentamente os próximos passos dos Estados Unidos e as possíveis repercussões de uma escalada do conflito na região.

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